Após embate com líder do PL, Alcolumbre critica políticos que “ganharam a eleição ofendendo e agredindo pessoas”

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou nesta quarta-feira (4) políticos que, segundo ele, utilizaram ataques pessoais e discursos contra instituições para conquistar votos nas eleições. Durante pronunciamento no plenário, o senador também questionou as críticas à confiabilidade das urnas eletrônicas feitas após o resultado do segundo turno.
Sem citar diretamente os parlamentares, Alcolumbre afirmou que alguns políticos passaram do debate democrático para as agressões contra adversários e autoridades.
“Algumas vezes, alguns colegas nossos passam apenas do debate para as agressões em relação a esta presidência. […] Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, declarou.
O presidente do Senado também criticou manifestações que colocaram em dúvida o funcionamento do sistema eleitoral após o resultado do segundo turno. Como exemplo, mencionou o desempenho do Partido Liberal (PL) nas eleições legislativas do primeiro turno.
“Abriu as urnas e ganharam a eleição, mas o pior de tudo isso é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou […] ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, serviu para eleger 20 e tantos senadores, ela serviu para comemorar uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula […] e quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna”, disse o presidente do Senado.
Discussão sobre redução da maioridade penal motivou confronto
O pronunciamento ocorreu após um desentendimento com o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ). Mais cedo, o parlamentar cobrou que Alcolumbre colocasse em votação ainda nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal.
O presidente do Senado, porém, afirmou que não levaria o texto à votação naquele momento. A justificativa foi que a Câmara dos Deputados havia iniciado a discussão da proposta antes do Senado.
Portinho contestou a decisão e acusou Alcolumbre de descumprir um acordo firmado entre os líderes partidários no dia anterior para acelerar a tramitação da matéria.
“O Senado hoje está submetido ao Poder Judiciário e à Câmara dos Deputados. E o presidente do Congresso, senhor Davi, o senhor é o presidente do Congresso, senador. Não é a Câmara dos Deputados que diz como vai ser, o Senado é a Casa Alta. O senhor fez um compromisso; compromisso é para ser cumprido”, afirmou o líder do PL.
A proposta defendida pelo partido prevê reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos e para 16 anos nas demais infrações.
Portinho nega ofensas e volta a cobrar acordo
Em resposta, Carlos Portinho afirmou que não teve a intenção de ofender Alcolumbre e negou ter feito críticas às urnas eletrônicas durante sua manifestação.
“Eu não ofendi ninguém. Muito menos ofenderia à vossa Excelência [Alcolumbre], muito menos tratei aqui de urna eletrônica”, declarou.
O senador também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro (PL), ao comentar a possibilidade de saída do parlamentar para os Estados Unidos. “O outro [Flávio Bolsonaro] se não fugisse o próprio presidente reeleito disse que o cassaria”, declarou.
Ao encerrar sua manifestação, o líder do PL voltou a cobrar explicações sobre o acordo que, segundo ele, havia sido firmado entre as lideranças para acelerar a votação da PEC.














